Exposição virtual conta a história das grandes invenções da Humanidade

RIO — Em 1608, o alemão Hans Lippershey apresentou um pedido de patente para uma lente capaz de “ver coisas distantes como se estivessem próximas”. O pedido foi negado, mas a notícia da invenção se espalhou pela Europa e, no ano seguinte, o italiano Galileu Galilei mirou essa lente melhorada para o céu, descobriu luas em Júpiter e crateras na Lua, dando início à astronomia observacional. Quatro séculos depois, telescópios estão no espaço, observando galáxias a bilhões de anos-luz de distância. Essa é uma das histórias reunidas pelo projeto “Once Upon a Try“, desenvolvido pelo Google Arts & Culture com 110 museus e instituições científicas ao redor do mundo.

Trata-se da maior exibição virtual sobre a inovação e a inventividade humana. São quase 400 exposições virtuais, com mais de 200 mil imagens, vídeos e registros históricos, como a coleção, inédita na internet, de cem cartas enviadas por Albert Einstein a cientistas franceses, mantidas pela prestigiada Académie des Sciences francesa. Da Nasa, uma plataforma de aprendizado de máquina oferece uma nova forma de explorar um arquivo com mais de 127 mil imagens espaciais.

— Nós trabalhamos nesse projeto por mais de dois anos — contou Luisella Mazza, diretora de operações do Google Cultural Institute. — A curadoria das exposições foi feita pelas instituições parceiras, sem ingerência do Google Arts & Culture. As instituições decidiram, de forma autônoma, as imagens, as histórias e as invenções que fazem parte dessa mostra.

Clique aqui para acessar a matéria na íntegra e visualizar esta fotogaleria.

Coube ao Google o apoio com tecnologia, como no desenvolvimento do aplicativo “Big Bang AR”, que explica o surgimento e a evolução do universo com realidade aumentada. O conteúdo foi desenvolvido por físicos da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, conhecida pela sigla Cern, e coloca, literalmente, o evento do Big Bang na palma da mão dos usuários.

Modernas técnicas de digitalização foram empregadas para transformar em pixels o Mapa de Juan de la Cosa, considerado o mais antigo registro do Novo Mundo. Pintado a mão num pergaminho, o mapa ilustra as terras descobertas no continente americano até o fim do século XV, por expedições espanholas, inglesas e portuguesas. A partir de agora, ele estará disponível, em altíssima resolução, aos visitantes da mostra “Once Upon a Try“.

— O primeiro mapa das Américas, feito no início do século XVI, foi digitalizado com a tecnologia gigapixel — explicou Luisella. — É uma câmera muito especial, que permite tirar fotos em altíssima resolução, de até 2 bilhões de pixels, de forma muito rápida e intuitiva.

O foco do projeto está nas grandes descobertas e invenções, mas também há espaço para inventos específicos, como a chuteira de futebol. Em parceria com o Museu do Futebol, a exposição traça a história de um simples calçado que está nos pés das estrelas do esporte mais popular do planeta, além de contar como foi a adaptação da chuteira em terras brasileiras.

O “Once Upon a Try” também oferece passeios virtuais, com o Google Street View, em instalações como a Estação Espacial Internacional e o Grande Colisor de Hádrons do Cern, a maior máquina já construída pelo homem. O túnel que se estende por 27 quilômetros na fronteira da França com a Suíça ficou mundialmente conhecido por comprovar, em 2012, a existência do bóson de Higgs, a partícula de Deus.

Powered by WPeMatico