Joana D’arc, condenada por heresia, canonizada por ousadia.

Você já ouviu falar da guerra de cem anos? Sabia que a França perdeu muitos territórios para a Inglaterra e que, quando tudo parecia perdido, uma heroína, Joana D’arc, se levantou, e que foi de extrema importância para a preservação da França?

Parece incrível pensar que, em uma guerra que durou cerca de 116 anos entre França e Inglaterra, em um momento em que a França estava perdendo territórios importantes, dentro de um contexto extremamente machista, uma menina de apenas 17 anos, se tornaria uma heroína.

A chamada guerra dos cem anos, não foi apenas um confronto ininterrupto, mas, uma série de batalhas. Teve início por uma disputa ao trono da França, o que era bem comum durante a idade média.

Joana D'arc
Fonte: Imagem Internet

Condenada por heresia e queimada pela igreja católica, Joana D’arc se tornou Santa Padroeira da França anos mais tarde. E você, conhece essa história?

Sobre a guerra

Um dos maiores conflitos da Idade Média, a guerra entre França e Inglaterra teve início em 1337 e durou até 1453, um total de 116 anos, embora tenha recebido o nome de “Guerra dos Cem Anos“.

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Em 1066, um duque da Normandia, Guilherme, conquistou a Inglaterra, se tornando rei. Guilherme e seus descendentes eram, então, reis da Inglaterra e súditos do trono francês. O que aconteceu quando, em 1328, o rei francês morreu sem deixar nem um herdeiro?

Isso mesmo, o rei da Inglaterra, Eduardo III se viu como legítimo rei, afinal, ele também era sobrinho de Carlos IV, o rei francês que morreu sem herdeiros. O problema é que a nobreza francesa escolheu o conde Felipe (que ganhou o título de Felipe VI) para ser rei.

A disputa pelo trono, que gerou um clima de desconfiança entre os dois, e conflitos por territórios franceses, especificamente as regiões da Gasconha, da Guiana, e de Ponthieu, foram o estopim para a guerra.

Joana D'arc
Fonte: Imagem Internet

A população da França, era 4 vezes maior que da Inglaterra, também era mais rica. Contudo, não estava unida e organizada, como nação, diferentemente da Inglaterra, que possuía uma monarquia mais forte. De forma que a Inglaterra teve vantagem no início da guerra.

Em certo ponto da batalha, diversos tratados garantiam aos ingleses a soberania sobre os territórios conquistados na França. Conflitos internos “obrigaram” ambos os países a focarem em seus problemas domésticos, levando à uma “paz não declarada”.

Em 1420 o novo rei inglês, Henrique V, decidiu aproveitar uma crise francesa para reinvidicar o trono francês, iniciando novamente um período turbulento, com diversos conflitos. Contudo, organizados pelo novo rei francês, Carlos VII, a França estava mais organizada e saiu vencedora desses conflitos, retomando a Guiana e Gasconha.

Joana D’arc

E assim, nesse contexto, surge nossa heroína. Após o cerco de Orleans, que durou 7 meses, quando os franceses estavam a ponto de se render, surge uma camponesa, com cerca de 17 anos, transformada em uma grande guerreira.

Joana D’arc nasceu, possivelmente, em 1412 na comuna de Domrémy. Como na época a cultura não era de contar a idade exata, não se sabe ao certo. Todavia, durante o julgamento, em 1431, ela declarou ter, mais ou menos, 19 anos.

A caçula de 4 filhos, Joana frequentava a igreja regularmente, juntamente com sua família, especialmente com Jacques D’arc e Isabelle Romée, seus pais. A infância e adolescência dela foi marcada pelo período de guerra em que viveu.

Joana D'arc
Fonte: Imagem Internet

Joana D’arc, após convencer o rei francês, foi à batalha, como comandante de uma tropa. Os ingleses não resistiram e abandonaram o cerco. Essa batalha foi crucial para a unir ainda mais os franceses e criar esperança à um povo desesperançoso.

Joana D’arc declarava ouvir vozes vindas de Deus, que a direcionava e dizia como alcançar a vitória das batalhas. Essas vozes, começaram quando ela tinha, aproximadamente, 13 anos de idade, no jardim de seu pai.

Aos 16 anos, ela pediu para ser levada à corte real francesa, mas, não conseguiu. “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, nesse caso o ditado foi verdade. Depois de insistir, quando ela conquistou a aprovação popular, em 1429, conseguiu ser levada à corte, onde ela conseguiu a proteção de diversos militares.

Um símbolo de luta 

Joana D’arc se tornou um símbolo, que trouxe ânimo ao exército francês. Os franceses estavam em um ponto em que perdia até batalhas que possuíam superioridade numérica. Esse cenário mudou drasticamente com o ingresso de Joana D’arc no exército.

Embora tenha sido crucial para a vitória francesa em diversas batalhas importantes, em 30 de maio de 1431, Joana D’arc foi queimada em praça pública, condenada por heresia, pelo tribunal eclesiástico inglês, ela morreu com apenas 19 anos.

Fornecendo ânimo e estratégias, Joana D’arc se tornou um símbolo. Sua condenação, por heresia e bruxaria, foi revista e em 1909 a igreja católica autorizou a beatificação e ela foi canonizada pelo Papa Bento XV, em 1920.

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