Microsoft aposta em hologramas para o futuro da computação

BARCELONA — Os smartphones são as estrelas principais do Mobile World Congress, que acontece esta semana em Barcelona, mas a Microsoft aproveitou o principal evento da indústria de tecnologia móvel para apresentar sua visão de futuro: a realidade mista. Em evento neste domingo, a companhia apresentou a nova versão de seu óculos HoloLens e um sensor Kinect com inteligência artificial. Os dois produtos já podem ser encomendados, a US$ 3.500 e US$ 399, respectivamente.

— Este novo meio é apenas o começo da experimentar o que é possível quando você conectar o mundo digital ao mundo físico, para transformar como trabalhamos, aprendemos e jogamos — afirmou Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft.

A primeira versão do HoloLens foi lançada em 2016. Diferente de dispositivos de realidade virtual, como o Oculus Rift, do Facebook, e o PlayStation VR, da Sony, o HoloLens combina o mundo físico com o digital, por meio de um visor transparente. É algo parecido com a realidade aumentada do jogo “Pokémon Go”, mas é possível interagir com os objetos virtuais, num ambiente que mistura o real e o virtual, por isso ficou conhecida como realidade mista.

Com a atualização do produto, a companhia reforça sua aposta na tecnologia e oferece aos clientes uma versão mais avançada, com melhorias implementadas a partir das reclamações. O campo de visão, por exemplo, foi ampliado para dar aos usuários melhor percepção do espaço ao redor. O processador é mais potente e um sensor rastreia os movimentos dos olhos em tempo real.

— A qualidade deste dispositivo é consideravelmente melhor que o original — afirmou JP Gownder, analista da Forrester Research, em entrevista ao “Financial Times”. — A primeira versão foi basicamente um produto beta por um longo período. Este será um produto real.

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Alex Kipman apresenta o HoloLens 2 durante o MWC, em Barcelona

O foco da Microsoft está nos clientes corporativos e em aplicações comerciais. A ideia é que trabalhadores que não tenham acesso direto a um computador no exercício de suas funções possam ter acesso a informações diretamente pelo visor. Na montadora de caminhões Paccar, por exemplo, os funcionários recebem instruções de montagem pela tela, para não perderem tempo consultando livros e computadores.

As informações podem vir em textos para o Word, que rola a tela automaticamente pelo rastreamento dos movimentos dos olhos, mas também em hologramas, que podem ser manipulados em tempo real, com movimentos naturais.

— Pela primeira vez você vai sentir como é tocar num holograma, interagir e até brincar com ele, quase ao ponto de você esquecer que se trata de uma peça de conteúdo digital — afirmou Alex Kipman, technical fellow da Microsoft responsável pelo produto.

Polêmica em contrato militar

Mas o lançamento do HoloLens 2 acontece em meio a uma polêmica dentro da própria Microsoft. A companhia fechou um contrato de US$ 480 milhões com o exército americano para a venda desses óculos especiais. Na sexta-feira, um grupo de funcionários divulgou uma carta aberta pedindo a renúncia ao contrato, pois eles se negavam a desenvolver tecnologias para serem usadas na “guerra e na opressão”.

“Nós estamos alarmados que a Microsoft está trabalhando para fornecer tecnologia de guerra para o Exército americano, ajudando o governo de um país a ‘aumentar a letalidade’ usando ferramentas que construímos”, afirmou o grupo. “Nós não fomos contratados para desenvolver armas, e exigimos uma palavra sobre como nosso trabalho é usado”.

A Microsoft também apresentou uma versão compacta do Kinect, com sensor de profundidade, câmera de alta definição e sete microfones embutidos, pronto para aplicações de inteligência artificial. O dispositivo pode ter diversos usos, como a solução Ocuvera, que aplica as capacidades de monitoramento para prevenir que pacientes caiam em leitos de hospitais.

Confira as principais novidades em telefonia do primeiro dia do Mobile World Congress, em Barcelona

A Huawei lançou o Mate X, smartphone dobrável que chega a oito polegadas. O celular conta ainda com sistema de carregamento rápido | Bruno Rosa
O Mate X, o dobrável da chinesa Huawei. O aparelho tem conexão para tecnologia 5G | Bruno Rosa
A Sony lançou o seu novo modelo Xperia com tela oled 8k. Tem três câmeras na parte traseira, que conta com recursos de sua linha profissional de câmeras, a Alpha, e sistema de som que permite experiência de cinema | Bruno Rosa
O Xperia 1, da Sony, tem tela HDR OLED, que usa a tecnologia da TV Bravia. O aparelho também tem a capacidade de tirar fotos e gravar vídeos 4K, que atende às demandas tecnológicas de cineastas profissionais, tanto em imagem e som | Reuters
A Samsung apresentou pela primeira vez ao público o seu S10, lançado uma semana antes do MWC, que tem armazenamento interno de 1 TB. Hoje, os celulares mais potentes têm metade disso. Mostrou ainda seu novo dobrável | Bruno Rosa
A Nokia apresentou celular com cinco câmeras na parte traseira.Tem sensor em toda a tela. A câmera frontal tem resolução de 20 mega | Bruno Rosa
A Xiaomi tem câmera frontal retrátil que só aparece quando o usuário solicita. O objetivo é ganhar mais espaço na tela | Bruno Rosa
A Xiaomi colocou o sensor biométrico na parte traseira do aparelho. Tem ainda câmera frontal retrátil que só aparece quando o usuário solicita. O objetivo é ganhar mais espaço na tela
| Bruno Rosa
A LG trouxe celular com duas telas que operam de forma independente. Batizado de V50, o aparelho conta ainda com reconhecimento facial e leitor de veias para desbloqueio de tela | Bruno Rosa
A Oppo cobriu toda a tela com um sensor biométrico, permitindo que os usuários toquem em praticamente qualquer lugar do display para desbloquear o dispositivo. A Oppo trouxe zoom de dez vezes e resolução de 48 mega
| Bruno Rosa
O Galaxy Fold, o dobrável da Samsung | Bruno Rosa
Na tentativa de buscar atenção dos consumidores, os fabricantes lançaram seus novos celulares cheios de novidade

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